Nos anos 2000, modelos populares como o Uno Mille e o Gol 1.0 alcançavam até 18 km/l com etanol em ciclo rodoviário. Hoje, em plena era da tecnologia automotiva, poucos carros flex sequer chegam aos 14 km/l com o mesmo combustível. Mas por que a eficiência parece ter regredido?
A resposta está longe de ser simples. A evolução tecnológica dos motores trouxe mais potência, conforto e segurança, mas em troca de maior peso, maior consumo e exigências ambientais mais rígidas.
Com a adição de itens como ar-condicionado, direção elétrica, sistemas multimídia e controles de estabilidade, os veículos se tornaram mais pesados. Em média, um carro compacto atual pesa cerca de 200 kg a mais do que um similar de 20 anos atrás. Esse aumento impacta diretamente no consumo, especialmente com etanol, que tem menor densidade energética.
Os motores modernos são calibrados para emitir menos poluentes, o que nem sempre favorece o consumo com etanol. A busca por emissões mais limpas exige combustões mais controladas e temperaturas mais altas, impactando o rendimento do etanol, especialmente em trajetos urbanos.
Enquanto o Brasil é referência no uso de etanol, muitos modelos vendidos aqui são derivados de plataformas globais, pensadas majoritariamente para gasolina. A adaptação ao etanol nem sempre é otimizada, resultando em menor eficiência energética.
Hoje, um carro 1.0 turbo tem potência similar a um 1.8 dos anos 2000. O consumidor quer mais desempenho, mesmo nos modelos compactos. Essa exigência gera consumo mais alto, sobretudo ao utilizar a potência extra com frequência.
Os carros modernos ganharam em segurança, conforto e desempenho, mas a eficiência com etanol foi uma das vítimas desse avanço. A boa notícia? Com a eletrificação e novos biocombustíveis, a engenharia já trabalha para unir potência e eficiência em breve.
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